Trabalhos e Eixos Temáticos

Apresentação de trabalhos

Times New Roman; corpo 12; espaço de entrelinhas de 1,5; texto justificado; notas de rodapé na própria página (e não no final do texto); tamanho máximo do texto de 6000 caracteres, incluindo espaços, notas de rodapé e bibliografia.

Prazo para envio: 10 de Setembro de 2017

Envie para ludffaria@uol.com.br com cópia para jesussan.bhe@terra.com.br com o assunto "Trabalho para XXI Jornada da EBP-MG" e no corpo do e-mail explique para qual eixo se endereça seu trabalho.





 

Eixos temáticos
 


EIXO 1: A REALIDADE DO INCONSCIENTE É SEXUAL

O inconsciente é uma questão. Por isso mesmo, no inconsciente não há inscrição da diferença anatômica dos sexos. Carência, hiância central, dizia Lacan, antes de dar a fórmula desse impossível que “não cessa de não se escrever”. Como pensar a problematização da diferença sexual, já que essa hiância não se configuraria da mesma forma, não funciona do mesmo modo em relação ao masculino e ao feminino?

A via dessas soluções sempre singulares passará pelos efeitos de linguagem, os quais desnaturalizam o sexo dos falantes: o semblante maior que é o falo e os objetos a destacados do corpo. Conforme Lacan, o sujeito (homem ou mulher) “é feliz”, ou seja, é-lhe dada a felicidade do bom agouro, o que não lhe evitará a servidão da singularidade do gozo que lhe deixa a não relação, que pode ser o fálico ou o não-todo fálico.



EIXO 2: A DIFERENÇA SEXUAL FAZ SINTOMA HOJE?

O Édipo freudiano é uma maquinaria que dá conta da forma como cada ser falante vai se virar, bem ou mal, para se tornar homem ou mulher, via semblantes, explicando o que faz existir e o que faz sintoma na diferença sexual.

Lacan irá mais longe. Além de descrever exceções ao binarismo edípico, chamará a escolha do sexo de sexuação. No “barco sexual”, homens e mulheres estão cada qual de seu lado e se distinguem por suas modalidades de gozo: o gozo fálico – masculino e o Outro gozo – feminino, ou o Todo e o não-todo. Essa repartição retira o caráter estático da partilha sexual e demonstra sua plasticidade, o que significa que existe para cada ser falante uma margem de liberdade, uma escolha do sexo diferente das determinações biológicas ou sociológicas.

Neste eixo, vamos investigar de que forma a diferença sexual faz sintoma na atualidade e quais soluções um sujeito pode encontrar em sua análise, no tempo do ocaso do Édipo, da inexistência do Outro. Quando cada um reivindica o direito ao gozo? Quando a sexualidade pluralizada esgarça-se até o limite da implosão? Como tratar as escolhas inconscientes do gozo?



EIXO 3: PSICOSE, ENIGMA E SEXUALIDADE

Partindo do pressuposto de que a lógica fálica está foracluída na psicose, persiste o embaraço face ao que não se inscreveu nem do lado masculino, nem do lado feminino da partilha dos sexos. Para categorizar a sexuação, o psicótico deve inventar outra maneira de conectar esse gozo fora do sentido. Desse modo, a solução dada por cada sujeito ao enigma sobre seu sexo, que retorna no real, mostra-se como um arranjo inédito fora da significação fálica.

Neste eixo, vamos priorizar as invenções encontradas por cada um para situar-se na diferença sexual. O empuxo à mulher pode ser uma forma de o sujeito posicionar-se na partilha dos sexos? As demandas de operação podem ser uma resposta para aqueles que têm certeza de ser um erro da natureza? Que tipos de soluções o sujeito pode encontrar para inscrever seu gozo com estilos de vida que lhe permitam construir laços sociais?



EIXO 4: LIGAÇÕES INCONSCIENTES QUAL O LUGAR PARA O AMOR ?

A condição humana é feita para o celibato ou para as parcerias? De início, Lacan demonstra o impossível de escrever a relação sexual entre dois corpos. No momento do encontro entre dois corpos Um e Um, ele dirá que se fazem dois, mas no sentido de se fazer dois “Uns sozinhos”. Pode-se dizer que a solidão existe e a parceria é uma ficção, algo a se construir, sob o fundo desse impossível. Por outro lado, o amor é isso que supre a inexistência da relação sexual, e esse impossível é condição de sua existência. Demarca-se assim a contingência do laço amoroso e de uma invenção de saber que advém daí.

Nota-se que o enfraquecimento do Nome-do-pai e a queda dos ideais têm consequências na forma de os sujeitos se confrontarem com a inexistência da relação sexual e na relação amorosa que daí advém. Neste eixo, buscamos trabalhar qual estatuto do laço amoroso está presente nas parcerias diversificadas. Se, em Lacan, “o ser sexuado só se autoriza de si mesmo”, é essa radicalidade da solidão do gozo que joga sua partida na escolha forçada e, por sua vez, autoriza as parcerias amorosas, um por um. O que pode nos ensinar a experiência analítica quanto ao saber fazer do amor? Como se faz casal hoje face ao impossível da relação sexual e à plasticidade da diferença sexual?



EIXO 5: “O INCONSCIENTE É A POLÍTICA": CONSEQUÊNCIAS QUANTO À DIVERSIDADE SEXUAL

Para Miller, a famosa afirmação “a relação sexual não existe” denota um quadro de apagamento definitivo da norma. Abandona-se a época disciplinar para afirmar que só há gozo. É o que se passa na globalização. As questões de identidades e nomeações adquirem aqui um papel fundamental. Lacan considerava que o apagamento da diferença, seja no nível do corpo, do sexo ou do grupo, só faz multiplicar barreiras e reforçar o aumento do racismo. Tal segregação se produz da imposição autoritária de uma forma de gozo única, feroz, porque menos tolerante, pois, ao equiparar os gozos, apaga o que faz a diferença.

Neste eixo, busca-se avançar na elucidação da política da psicanálise, baseada no real do sinthoma como forma de contrapor-se à homogeneização do mundo. Nesse sentido, dizer que “o inconsciente é a política”, ao contrário de uma redução, trata-se de uma amplificação, do transporte do inconsciente para fora da esfera solipsista para colocá-lo na Cidade, fazê-lo depender da “História”, da discórdia do discurso universal .